Os indícios de autoritarismo que se estão a desenhar no nosso País desde o passado ano de 1926, são preocupação, como já disse mas sobretudo porque estão perfeitamente enquadrados, com acontecimentos que ocorrem no mesmo sentido em vários pontos da Europa.
Em Itália o regime fascista abole o cargo de elegível de presidente da Câmara,substituindo-o pelo de corregedor nomeado pelo governo civil. Alguns atentados contra Mussolini só agravaram o aperto reaccionário com a aprovação das leis fascistissime, com o desaparecimento de todos os partidos da oposição e a criação duma polícia especial a OVRA, para reprimir os anti-fascistas, culminando a sua acção com a prisão de António Gramsci,

lider do Partido Comunista Italiano.
O regime fascista "reestrutura" as relações entre o capital e o trabalho, criando o ministério das associações, ensaiando o corporativismo, acabando com a greve e o lock-out, estatificando e controlando a "luta de classes".
Em Espanha, Primo de Rivera celebra um tratado de amizade com a Italia, estabelecendo relações de amizade entre as duas ditaduras, ao mesmo tempo que a Alemanha é admitida na Sociedade das Nações, recebendo um lugar permanente no Conselho.
A URSS assina um tratado de amizade e neutralidade com a Alemanha, enquanto a luta interna pelo poder se vira em absoluto para o lado de Estaline, secretário-geral do PCUS, qu acaba por controlar firmemente todas as alas do Partido.
Há efectivamente por todo o lado um forte movimento de contestação às liberdades políticas acentuando-se a tendência, para o autoritarismo estatal, sinceramente espero que não venha a acontecer em Portugal, muito embora os acontecimento deste último ano de 1926, não me dêem grandes esperanças,
Em 10 de Março soube que foi publicado em Coimbra uma nova revista a que os seus criadores chamaram a Presença. A avaliar pelos nomes dos seus fundadores José Régio,João Gaspar Simões,Branquinho da Fonseca e Edmundo de Bettencourt auguro que façam um bom trabalho, embora tema pelo seu futuro.
Casa Comum, 20 de Março de 1927
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