Pela segunda vez depois de Sidónio Pais, um Persidente da República Portuguesa, foi eleito pelo voto popular e foi assim que Óscar Carmona, que já assumira a presidência interinamente se viu sufragado como o 11º Presidente da República.
Tomou posse em 15 de Abril passado e nomeou a 18 um novo governo sob a presidência do Coronel José Vicente de Freitas, um militar madeirense agraciado com a Torre e Espada, por distinção em actuação na guerra Mundial.
Assim se mascara a ditadura de democrática, fazendo crer que o acto eleitoral, os pode legitimar
Pergunto-me o que fará um militar na chefia do governo, especialista em cartografia, conhece-se dele uma planta de Lisboa ao que me dizem de notável qualidade técnica e artística, duvido que tais atributos sejam suficientes para levar a nau a bom porto. Deus queira que me possa enganar, para bem de Portugal.
Para ele reservou igualmente a pasta do Interior, Silva Monteiro para a Justiça, na Guerra Morais Sarmento, na Marinha Mesquita Guimarães, nos Estrangeiros Bettencourt Rodrigues, Duarte Pacheco na Instrução Pública e um tal Oliveira Salazar para as Finanças, que tomou posse há 3 dias no dia 27 de Abril, em vésperas de perfazer 39 anos.
Proclama então: sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o país estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar.
Como conceito para "início de vida", parece-me encerrar desde logo uma certa visão excessivamente "independentísta", face a eventuais opiniões discordantes.
Este mês o jornal Novidades publicou uma entrevista coma Drª Paulina Luisi , por acaso a primeira mulher uruguaia a formar-se em medicina e entre as suas multiplas actividades dedica-se à defesa dos direitos das mulheres, entre eles o direito ao voto, não só obviamente das mulheres uruguaias mas ás de todo o Mundo, incluindo as portuguesas (acrescento eu), que tão longe estão desses direitos.
No Portugal de hoje, declara-se que as mulheres portuguesas são inimigas irreconciliáveis da República, e que, conceder-lhes o voto, seria transformar Portugal numa antecâmara do Vaticano-
A Drª Paulina Luisi é pois um exemplo a seguir por todas as mulheres, ele que também é fundadora do Partido Socialista do Uruguai, mas socialismo e direitos das mulheres são ainda entre muitas coisas conceitos proibidos por aqui, que o digam a Drªs Elina Gumarães, Adelaide Cabete, entre outras, que seguem o exemplo da Drª Beatriz Ângelo que conseguiu votar em 1911, contornando a lei que só permitia votar aos cidadãos maiores de 21 anos que fossem chefes de família ou que soubessem ler e escrever, (ela era médica, mãe e viúva)
Para evitar estes contornos foi modificada o direito abrangendo somente pessoas do sexo masculino.
Casa Comum, 30 de Abril de 1928

Sem comentários:
Enviar um comentário