Nódoa de sangue a alastrar no céu
Casa Comum, 10 de Fevereiro de 1938
Não sei se soube mas no passado dia 25 de Janeiro a nossa gente lisboeta entrou em perfeita em histeria por causa duma aurora boreal, cujo aspecto avermelhado alastrava pelo céu, prenunciando para alguns o fim do Mundo.
A particularidade nacional, que se traduz, na necessidade, mesmo enfrentando todos os perigos, de ver melhor, essa obsessão de ver tudo fez com que, segundo relata o Diário de Notícias, "À porta da igreja da Estrela esteve para ser preso um indivíduo que pretendia arrombar a porta que dá para o zimbório, a fim de observar lá do alto o que se passava nas regiões celestes. O guarda e o sacristão tiveram de chamar a polícia, pois é proibida a subida ao zimbório depois do pôr do sol."
Ao que parece lá para a Meia Laranja muita gente se juntou mesmo em trajos sumários "aguardando com ansiedade o fim do mundo, de que supunham anúncio infalível aquela mancha vermelha, que se alastrara no céu estrelado como uma grande nódoa de sangue"
Foi assim que a "sarapanta", como chamam os pescadores do bacalhau à aurora boreal, habituados que estão a vê-la por terras da Terra Nova e Groenândia, semeou o pânico por todo o lado.
Não fossem os zunzuns que a contestação provocada em alguns sectores das Forças Armadas, pelas "reformas" introduzidas pela acção de Oliveira Salazar, poderia conduzir a um golpe militar contra o Estado Nove e ficaríamos a pensar que o facto da PSP, a GNR e Legião Portuguesa, terem sido colocadas em estado de alerta e poderíamos ser levados a concluir, que o objectivo fosse prender a D.Aurora Boreal.
Fui à estreia de mais um filme português, a Rosa do Adro de Chianca de Garcia, sempre com a esperança que comecemos a deixar de gatinhar e iniciemos o caminhar, no sentido de fazer melhor cinema. Fui ao Trindade no passado dia 3, e vi por lá gente habitual nesta coisas.
O filme contava com a linda e talentosa Maria Lalande(Rosa), o Tomás de Macedo(António) e o Oliveira Martins (Fernando), entre outros.
Também assistimos nos nossos dias, a uma crescente onda de nacionalismo na América Latina. Na Bolívia o ano passado um governo militar confiscou as propriedades da Standard Oil e no México os trabalhadores do petróleo pressionam o governo do presidente Cardenas também para a nacionalização.
Não sei se soube mas no passado dia 25 de Janeiro a nossa gente lisboeta entrou em perfeita em histeria por causa duma aurora boreal, cujo aspecto avermelhado alastrava pelo céu, prenunciando para alguns o fim do Mundo.
A particularidade nacional, que se traduz, na necessidade, mesmo enfrentando todos os perigos, de ver melhor, essa obsessão de ver tudo fez com que, segundo relata o Diário de Notícias, "À porta da igreja da Estrela esteve para ser preso um indivíduo que pretendia arrombar a porta que dá para o zimbório, a fim de observar lá do alto o que se passava nas regiões celestes. O guarda e o sacristão tiveram de chamar a polícia, pois é proibida a subida ao zimbório depois do pôr do sol."
Ao que parece lá para a Meia Laranja muita gente se juntou mesmo em trajos sumários "aguardando com ansiedade o fim do mundo, de que supunham anúncio infalível aquela mancha vermelha, que se alastrara no céu estrelado como uma grande nódoa de sangue"
Foi assim que a "sarapanta", como chamam os pescadores do bacalhau à aurora boreal, habituados que estão a vê-la por terras da Terra Nova e Groenândia, semeou o pânico por todo o lado.
Não fossem os zunzuns que a contestação provocada em alguns sectores das Forças Armadas, pelas "reformas" introduzidas pela acção de Oliveira Salazar, poderia conduzir a um golpe militar contra o Estado Nove e ficaríamos a pensar que o facto da PSP, a GNR e Legião Portuguesa, terem sido colocadas em estado de alerta e poderíamos ser levados a concluir, que o objectivo fosse prender a D.Aurora Boreal.
Fui à estreia de mais um filme português, a Rosa do Adro de Chianca de Garcia, sempre com a esperança que comecemos a deixar de gatinhar e iniciemos o caminhar, no sentido de fazer melhor cinema. Fui ao Trindade no passado dia 3, e vi por lá gente habitual nesta coisas.
O filme contava com a linda e talentosa Maria Lalande(Rosa), o Tomás de Macedo(António) e o Oliveira Martins (Fernando), entre outros.
Também assistimos nos nossos dias, a uma crescente onda de nacionalismo na América Latina. Na Bolívia o ano passado um governo militar confiscou as propriedades da Standard Oil e no México os trabalhadores do petróleo pressionam o governo do presidente Cardenas também para a nacionalização.
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