Janeiro 1
Triunfo da revolução castrista em Cuba.
O Triunfo da Revolução Castrista em Cuba aconteceu em 1º de janeiro de 1959 e marcou a queda da ditadura de Fulgencio Batista.
A revolução começou alguns anos antes, em 1953, quando Fidel Castro, ao lado do irmão Raúl e de outros companheiros, tentou tomar o Quartel Moncada. A tentativa falhou, Fidel foi preso, depois exilado no México. Lá, reorganizou o movimento e conheceu Che Guevara.
Em 1956, o grupo voltou a Cuba no iate Granma. Eram poucos, mal armados, mas persistentes. Refugiaram-se na Serra Maestra, onde iniciaram uma guerra de guerrilha, ganhando apoio de camponeses e de parte da população urbana, cansada da corrupção, da repressão e da desigualdade social sob Batista.
Ao longo de 1957 e 1958, o regime foi se enfraquecendo:
– perda de apoio popular
– crise econômica
– deserções no exército
– pressão internacional
Na virada de 1958 para 1959, Batista fugiu do país. As forças revolucionárias entraram em Havana, e Fidel Castro assumiu o poder poucos dias depois.
Janeiro 12
Delgado pede asilo político na embaixada do Brasil
Em janeiro de 1959, o General Humberto Delgado pediu asilo político na Embaixada do Brasil em Lisboa. Isso aconteceu poucos meses depois das eleições presidenciais de 1958, nas quais Delgado concorreu contra o regime do Estado Novo, liderado por António de Oliveira Salazar.
Depois das eleições, Delgado passou a ser perseguido pela PIDE (polícia política do regime):
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vigilância constante
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ameaças de prisão
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risco real de eliminação política
Sem condições de permanecer em liberdade, em 12 de janeiro de 1959, Delgado entrou na Embaixada do Brasil e pediu asilo político.
O Brasil, então governado por Juscelino Kubitschek, concedeu o asilo, provocando forte tensão diplomática com Portugal. Salazar tentou pressionar, mas acabou permitindo que Delgado deixasse o país.
Pouco depois, Humberto Delgado seguiu para o exílio, primeiro no Brasil e depois noutros países, continuando a oposição ao regime salazarista a partir do exterior.
Importância histórica do episódio:
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expôs internacionalmente o caráter repressivo do Estado Novo
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transformou Delgado num símbolo da resistência democrática
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mostrou o papel das embaixadas como refúgio político durante ditaduras
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reforçou o desgaste interno e externo do regime de Salazar
Janeiro 15
Henrique Galvão, em regime de prisão, foge do hospital de Santa Maria. Pede asilo político na embaixada da Argentina
Henrique Galvão surge quase no mesmo contexto temporal e político de Humberto Delgado, como outra grande dor de cabeça para o Estado Novo.
Henrique Galvão era oficial da Marinha e antigo apoiante do regime, mas rompeu com Salazar ao denunciar:
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a repressão política
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o autoritarismo do Estado Novo
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e, sobretudo, a política colonial portuguesa, que considerava injusta e insustentável
Nos anos 50, Galvão tornou-se um opositor ativo. Em 1952, chegou a denunciar publicamente, na Assembleia Nacional, abusos nas colónias — algo impensável no regime. Resultado:
prisão, perseguição e vigilância constante pela PIDE.
1959: fuga e asilo diplomático
Em 1959, quase na mesma altura em que Humberto Delgado pede asilo na Embaixada do Brasil, Henrique Galvão protagoniza outro episódio embaraçoso para Salazar.
Galvão encontrava-se preso, mas conseguiu fugir (com ajuda externa) e refugiou-se na embaixada da Argentina , pedindo asilo político — gesto que, tal como o de Delgado, expôs internacionalmente a repressão do regime.
Pouco depois, acabou por sair de Portugal e seguir para o exílio, mantendo a luta contra o Estado Novo a partir do exterior.
Março 11
Revolta da Sé com Manuel Serra e o major Calafate. Mário Soares chama-lhe de inspiração católica. Participariam também o major Pastor Fernandes e o capitão Almeida Santos, oficial de ligação a Craveiro Lopes
A Revolta da Sé foi uma tentativa de levantamento militar e civil contra a ditadura de Salazar, planeada para março de 1959, em Lisboa, com epicentro simbólico na zona da Sé.
O objetivo era:
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derrubar o regime do Estado Novo
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libertar presos políticos
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abrir caminho à restauração da democracia
Quem esteve envolvido
A conspiração envolveu:
Manuel Serra e o major Calafate. Mário Soares chama-lhe de inspiração católica. Participariam também o major Pastor Fernandes e o capitão Almeida Santos, oficial de ligação a Craveiro Lopes
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oficiais das Forças Armadas (Exército e Marinha)
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civis oposicionistas
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setores ligados à candidatura de Humberto Delgado
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republicanos, socialistas e democratas
Mostra bem como o descontentamento já não era só político, mas também militar.
O fracasso
A revolta nunca chegou a concretizar-se.
A PIDE infiltrou-se no movimento e prendeu os envolvidos antes do início da ação.
Foram feitas dezenas de detenções, incluindo oficiais de alta patente.
Não houve confronto armado nas ruas, mas o impacto político foi enorme.
Consequências
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reforço da repressão e da vigilância policial
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prisões, julgamentos e deportações
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demonstração de que o regime estava ameaçado por dentro
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ligação direta ao clima criado após as eleições de 1958
A Revolta da Sé prova que, em 1958–1959, o Estado Novo enfrentava:
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oposição popular (Delgado)
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oposição militar (Revolta da Sé)
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oposição no exílio (Henrique Galvão)
Importância histórica
Embora fracassada, a Revolta da Sé:
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revelou a fragilidade do regime
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mostrou que o mito da unanimidade salazarista era falso
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antecipou o papel decisivo dos militares na queda do regime em 1974
Cartas Abertas de Católicos sobre os serviços de repressão do regime. Depois das eleições de 1958 e no ambiente da Revolta da Sé, manifesta-se, através de uma série de cartas-abertas um movimentos de católicos críticos do salazarismo.
Entre os subscritores, a poetisa Sophia de Melo Breyner Andresen, o monárquico Gonçalo Ribeiro Teles; o antigo deputado salazarista, Padre Abel varzim José Escada; Carlos Manzanares Abecasis; António Duarte Arnaut. Entre os sacerdotes subscritores, destacam-se também Adriano da Silva Pereira Botelho, César Teixiera da Fonte, João Perestrelo de Vasconcelos e José da Costa Pio.
(conforme notas do Prof , Adelino Maltez )
A mais conhecida
A mais famosa é a Carta Aberta de 1959, associada a António Alçada Baptista, Francisco Sousa Tavares, Mário Soares (católico cultural) e outros intelectuais ligados à Ação Católica e a revistas como a O Tempo e o Modo (já nos anos 60).
Essas cartas afirmavam, em essência:
não pode haver cristianismo verdadeiro sem liberdade, dignidade humana e justiça
Impacto político e social
quebrou a ideia de que a Igreja apoiava unanimemente Salazar
abriu espaço para uma oposição católica democrática
legitimou moralmente a resistência ao regime
influenciou gerações de jovens católicos
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