domingo, 16 de novembro de 2025

A Palestina desenhada a regua e esquadro

 

A Palestina desenhada a regua e esquadro


Casa Comum, 31 de Dezembro de 1947


No passado dia 24 morreu no Hospital da Estrela o general José Marques Godinho, um dos responsáveis pela revolta de 10 de Abril, que ficou conhecida como a Abrilada e que se encontrava detido desde então na Trafaria.

Fonte segura me disse que um tal Tomé Feteira, industrial da zona de Leiria, foi um dos financiadores da Abrilada, mas a PIDE não conseguiu deitar-lhe a mão, fugindo para o Brasil. 

Indicando-se também Amadeu Gaudêncio, Cupertino de Miranda como potenciais financiadores do golpe mas a este não me foi fornecida nenhuma indicação de terem sido incomodados pela PIDE.

Esquisita esta conjuntura falando-se até que o Presidente Carmona, estava com os revoltosos de 1947, tendo recuado à ultima hora.

Para além de todo o clima de revolta que se sente em Portugal, Salazar continua a mascarar a realidade como se pode ler no seu discurso de 25 de mês passado

Queria acrescentar umas palavras sobre a nossa política interna. Por brevidade e para não me repetir referir-me-ei a três pontos.

Primeiro. Há muito tempo que o ambiente político se não afigura tão calmo e compreensivo como neste momento.

Há certamente pessoas que, só vendo política activa na agitação dos espíritos e confundindo discussões estéreis com o estudo dos problemas, mal se habituam ao ritmo do nosso trabalho e à ética do regime. Mas os acontecimentos externos têm constituído ilustração tão cabal de muitas afirmações nossas; a instabilidade política tem de tal modo agravado as dificuldades dos governos e as deficiências de vida das populações; os remédios que se aconselham ou prevêem aproximam-se tanto de soluções experimentadas por nós, que mal se descortina campo onde oposições possam ainda medrar: o partidismo, ainda que atenuado sob a precária unidade de «movimentos» e de «forças», tem dificuldade em manter as suas posições. 

Aos nossos opositores aconteceu o que previmos: o seu liberalismo e vaga tendência social foram ultrapassados, pelos factos e por nós próprios. E tendo ido buscar ao apoio comunista a novidade e dinamismo que lhes faltava, apoio tão indesejável havia fatalmente de comprometê-los.

A questão está pois como no começo — solução nacional aberta a todos os homens de boa vontade e de são patriotismo, ou nada. E aos que se admiram dos resultados obtidos diremos que politicamente pouco mais fizemos do que cingir-nos a algumas grandes verdades humanas e compreender o interesse e a alma da Nação.

Apesar disso, e este é o segundo ponto, descobriu-se há meses um movimento sedicioso. Nada direi sobre ele, porque os acusados estão entregues aos tribunais e temos de respeitar o seu veredicto.

Não infrinjo, porém, nenhum preceito ou dever, lamentando ver incriminadas pessoas que ocuparam altas posições no regime e Governo da Nação e oficiais que nos tínhamos habituado a ver deste lado da trincheira.

Sobre este caso têm surgido interpretações que parece tocarem na própria dignidade do Governo, o primeiro a dever observar a Constituição.

Não tendo eu sido sagrado nem eleito, a origem dos meus poderes não é outra senão a vontade de quem me confiou a missão, por outro lado firmada no que possa realizar em benefício do País.

Quero ser juiz da minha capacidade de servir para o caso de outros serem comigo mais benévolos do que eu, mas todos me devem a justiça de considerar-me escravo dos princípios e incondicionalmente pronto a obedecer à decisão superior. 

Numa palavra, a dignidade do Governo é suficiente garantia da liberdade do Chefe do Estado em quem, durante tantos anos da melhor e mais leal colaboração, nunca encontrei senão a preocupação da melhor solução dos problemas e do melhor governo para o País.

Para que comentários ? A verdade é ELE, para os "outros", NADA, que nem precisa de ser eleito, estará ungido por Deus, para nos guiar ?

Ele acha que sim

Na Palestina, aumento dos conflitos entre judeus, ingleses e árabes forçou a reunião da Assembleia Geral da ONU, realizada em 29 de Novembro do mês passado, que deliberou a partição da Palestina em dois estados, um judeu e outro árabe, que deveriam formar uma união económica e aduaneira.

Esta coisa de construir estados com régua e esquadro, não me parece boa ideia, juntar questões políticas com questões religiosas, temo que venha a resultar num enorme conflito

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