O fim do Movimento Científico

- Casa Comum, 30 de Junho de 1947
No passado dia 25 de Maio aconteceu, um desastre desportivo que abalou o orgulho futebolístico nacional, a derrota por 10 a 0 no Jamor contra a poderosa Inglaterra, os mestres do futebol sob a batuta de Stanley Matthews, deram uma lição.
Desta vez nem nos pudemos socorrer do habitual argumento das vitórias morais.
Já em Setembro de 1946 o Ministro da Educação Nacional José Caeiro da Mata, expulsara Bento de Jesus Caraça, professor catedrático do ISCEF da Universidade Técnica de Lisboa, por ter sido autor do manifesto "O MUD perante a admissão de Portugal na ONU"
Idêntico procedimento é iniciado para com Mário de Azevedo Gomes, primeiro subscritor do referido manifesto e também professor da mesma Universidade.
Este ano já foram compulsivamente afastados do ensino universitário, entre outros: Ruy Luís Gomes, Mário Silva, Celestino da Costa, Cândido de Oliveira,
Pulido Valente, Fernando Fonseca, Adelino da Costa, Cascão de Ansiães, Torre de Assunção, Flávio Resende, Ferreira de Macedo, Peres de Carvalho, Marques da Silva, Zaluar Nunes, Rémy Freire, Crabée Rocha, Dias Amado, Manuel Valadares, Armando Gibert, Lopes Raimundo, Laureano Barros, José Morgado, Morbey Rodrigues.
É sempre interessante registarem-se os nomes das vítimas e do algozes, para memória futura, para que um dia e haverá por certo um dia, não se nos escape a memória da justiça, quando alguns mudarem de casaca,
A lógica repressiva, (deve haver uma lógica na repressão) pode ser demonstrada por exemplo no caso concreto de Ruy Luís Gomes, que foi afastado do serviço por telegrama do Ministro da Educação, por ter reclamado contra a prisão de uma aluna.
Afinal o fascismo acaba por alcançar um dos seus objectivo, acabar com a cultura e promover a estupidez e a ignorância os seus maiores aliados, pois com a repressão, a maioria dos principais protagonistas do Movimento Científico foi desaparecendo da cena política e científica portuguesa.
Sobretudo após estas expulsões, o Movimento Científico viu reduzida significativamente a sua actividade, tornando-se numa pálida imagem do que tinha sido o Núcleo de Matemática, Física e Química, que pretendia ser o início de uma verdadeira Escola de Ciência fundado em 1939, muitos dos seus membros foram compelidos a emigrar
A propaganda não pára António Ferro o seu ministro, apela as altos valores da Pátria e do passado, se bem que eu ache que não os devemos esquecer, condeno que se sirvam deles para ocultar o presente,
Ou melhor dito quem esconde dos portugueses a realidade do seu presente e lhe veda a possibilidade de ter futuro, não tem o direito de falar do passado, mas foi assim no dia 14 de Maio o desfile comemorativo do 8º centenário da tomada de Lisboa aos Mouros.
Mas a festa em Portugal é de curta duração e não é para todos, o cinzentismo da vida política divide-se entre a fome as privações e a revolta ou tentativa disso e a repressão continuada pelas forças policiais.
São exemplo disso movimento grevista dos operários da construção naval da região de Lisboa no dia 4 de Abril sendo as oficinas implicadas encerradas e o Governo obrigado a requisitar trabalhadores para assegurar serviços mínimos nos estaleiros navais.
Tentativa frustrada de putsch militar encabeçado por Mendes Cabeçadas que fugazmente fora Presidente da República em 1926 e que agora presidia à Junta Militar de que faziam parte, entre outros, o general Marques Godinho, o brigadeiro Vasco de Carvalho e o coronel Carlos Selvagem, segundo sei e que aliás confidencio à minha amiga, com a certeza que nada transpirará
No âmbito desse levantamento, destacou-se a sabotagem de aviões na Base Aérea de Sintra, levada a cabo por um jovem revolucionário, a quem coube a tarefa de sabotar os aviões da base aérea da Granja, Sintra, onde havia prestado serviço militar.
Sei que se encontra foragido às garras da PIDE que não descansará enquanto não lhes deitar as mãos
O julgamento dos implicados no golpe fracassado da Mealhada em 10 de Outubro de 1946 decorreu como habitualmente no clima de impunidade e 10 de Abril de 1947, foi preso nos calabouços da Polícia de Segurança Pública, em Leiria, transferido para a Penitenciaria de Lisboa e depois para o Aljube. Nesse julgamento também foi condenado Fernando Queiroga a 3 anos de prisão celular com perda de direitos políticos durante 5 anos.
É assim a vida política em Portugal, passada entre luta e repressão e tribunais e juízes inteiramente enfeudados ao ditador Salazar
São exemplo disso movimento grevista dos operários da construção naval da região de Lisboa no dia 4 de Abril sendo as oficinas implicadas encerradas e o Governo obrigado a requisitar trabalhadores para assegurar serviços mínimos nos estaleiros navais.
Tentativa frustrada de putsch militar encabeçado por Mendes Cabeçadas que fugazmente fora Presidente da República em 1926 e que agora presidia à Junta Militar de que faziam parte, entre outros, o general Marques Godinho, o brigadeiro Vasco de Carvalho e o coronel Carlos Selvagem, segundo sei e que aliás confidencio à minha amiga, com a certeza que nada transpirará
No âmbito desse levantamento, destacou-se a sabotagem de aviões na Base Aérea de Sintra, levada a cabo por um jovem revolucionário, a quem coube a tarefa de sabotar os aviões da base aérea da Granja, Sintra, onde havia prestado serviço militar.
Sei que se encontra foragido às garras da PIDE que não descansará enquanto não lhes deitar as mãos
O julgamento dos implicados no golpe fracassado da Mealhada em 10 de Outubro de 1946 decorreu como habitualmente no clima de impunidade e 10 de Abril de 1947, foi preso nos calabouços da Polícia de Segurança Pública, em Leiria, transferido para a Penitenciaria de Lisboa e depois para o Aljube. Nesse julgamento também foi condenado Fernando Queiroga a 3 anos de prisão celular com perda de direitos políticos durante 5 anos.
É assim a vida política em Portugal, passada entre luta e repressão e tribunais e juízes inteiramente enfeudados ao ditador Salazar
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