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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Notas do meu diário-1954

Casa Comum, 31 de Outubro de 1954

Notas do meu diário 


19 de Agosto

Prisão de vários dirigentes do MND, entre os quais Ruy Luís Gomes, que serão julgados pelo Tribunal Plenário do Porto, por crime de traição à pátria. Tinham defendido a necessidade do governo entabular negociações com a União Indiana

(informação retirada de José Adelino Maltez )

24 de Agosto

O suicídio de Getúlio Vargas é um dos episódios mais marcantes — e simbólicos — da história do Brasil. Não só pelo ato em si, mas pelo impacto político, emocional e quase mítico que ele produziu.

Getúlio Vargas, então presidente da República, suicidou-se na madrugada de 24 de agosto de 1954, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, com um tiro no coração. Tinha 71 anos.

O contexto político

O país vivia uma crise intensa:

  • Vargas enfrentava forte oposição de setores militares, da imprensa e de grupos econômicos.

  • Era acusado de autoritarismo, corrupção e de incentivar um clima de instabilidade.

  • A situação explodiu após o atentado da Rua Tonelero (5 de agosto de 1954), contra o jornalista e político Carlos Lacerda, seu principal opositor.
    Embora Lacerda tenha sobrevivido, um major da Aeronáutica morreu — e a investigação ligou o atentado a membros da guarda pessoal de Vargas.

A partir daí, a pressão para que ele renunciasse tornou-se quase insustentável, sobretudo por parte das Forças Armadas.

A decisão

Naquela madrugada, após reuniões tensas e percebendo que perdera apoio político e militar, Vargas escolheu não renunciar. Em vez disso, matou-se e deixou a famosa Carta-Testamento, que começava com palavras que entraram para a história:

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim.”

Na carta, Vargas constrói sua morte como um ato político, um sacrifício em nome do povo, afirmando que saía da vida para entrar na História.

O impacto imediato

  • A comoção popular foi enorme.

  • Multidões tomaram as ruas em várias cidades.

  • Jornais oposicionistas foram atacados.

  • A figura de Vargas foi ressignificada: de presidente acuado passou a mártir nacional para muitos brasileiros.

O suicídio desarmou a crise naquele momento e interrompeu, ao menos temporariamente, a ofensiva política contra seu legado.


10 de Outubro

A União dos Povos do Norte de Angola (UPNA) — mais conhecida depois como UPA — é peça-chave para entender o início armado da luta de libertação angolana.

Origem e identidade

  • Fundada em 1954, inicialmente como UPNA (União dos Povos do Norte de Angola), passou pouco depois a chamar-se UPA (União dos Povos de Angola), numa tentativa de ampliar o alcance para além do Norte.

  • Tinha forte base entre o povo bakongo, sobretudo no norte de Angola e no então Congo Belga (atual RDC).

  • O principal líder foi Holden Roberto, figura central do nacionalismo angolano no exílio.

Contexto e objetivos

A UPA surgiu como movimento anticolonial, num momento em que Portugal mantinha Angola como colónia e reprimia duramente qualquer forma de organização política africana. O objetivo declarado era a independência de Angola, mas o movimento tinha um recorte étnico e regional mais marcado do que outros grupos que surgiriam depois.



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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Substituição do avô e nova farsa eleitoral

 Notas do meu diário antigo

  • Morte do avozinho
É assim que o Estado novo gosta que considerem o presidente Óscar Carmona falecido no dia 18 e Abril. Atendendo ao seu aspecto, é uma realidade, atendendo à sua inutilidade política também, direi que avô e reformado da acção política, não mais que um assinador de decretos do Estado Novo

Carmona morreu com 81 anos em Lisboa e no seu historial ficará o seu destaque no golpe militar do 28 de Maio, afinal a origem de tudo o que hoje se vive.

Carmona já se eternizava no cargo de Presidente desde de 1928.

  • Nova farsa eleitoral

A questão da sucessão suscitou alguns rumores, já que o esvoaçar à volta de Salazar, não passava disso mesmo, a decisão como sempre será dela, porque a Presidência da República é considerada como mais uma peça do jogo de poder.

Dizem que foi Santos Costa que sugeriu o nome de Craveiro Lopes para a sucessão, que para outros como Mário Figueiredo a melhor ideia seria a restauração monárquica. Alguns chegaram a considerara o ditador o ideal para o cargo, mas afinal acabou por ser Craveiro Lopes o escolhido

A oposição como sempre dividida em mil e uma questiúnculas e desconfianças, avançaram com o nome de Rui Luiz Gomes um professor de matemática da Universidade do Porto por parte dos comunistas. Os descendentes do Partido Republicano e os sectores ligados à maçonaria, pela voz de Norton de Matos, depois de tentarem o lançamento da candidatura de Egas Moniz, acabaram por preferir a de Quintão Meireles, um antigo apoiante do 28 de Maio que trouxe para a oposição situacionistas descontentes como Henrique Galvão e o próprio Cunha Leal.

No seu manifesto de 3 de Julho, Meireles considerou que o país está doente e assumiu-se contra o partido único, defendendo a integridade da pátria e da sua extensão territorial ultramarina. Critica a constituição de um partido único, ortodoxo e minoritário.

Uns dias antes, critica acerbamente a candidatura de Ruy Luís Gomes, sugerindo que a mesma se encontra directa ou indirectamente na dependência de uma potência estrangeira.

O certo é que o Estado Novo, acabou por fazer-lhe a vontade excluindo-o no dia 17 de Julho, considerando-o inelegível para o cargo, de acordo com alterações que introduzira 6 dias antes, ao texto condicional.

Acabou por anunciar a desistência em 19 Julho, para não colaborar na mistificação que se prepara. Porque o país tornará a ter outro Chefe de Estado nomeado - mas sem a nossa colaboração.

Entre movimentações de massas, apenas se regista uma sessão de propaganda na Garagem Monumental, ao Areeiro, em Lisboa. Desiste, declarando: o País tornará a ter outro Chefe de Estado nomeado, mas sem a nossa colaboração.

Entre os apoiantes, destacam-se os dissidentes do 28 de Maio, o almirante Cabeçadas, os majores David Neto e Mário Pessoa, bem como Cunha Leal

Sem qualquer dúvida, atendendo aos factos, claro que Craveiro Lopes, foi obrigado a ganhar a palhaçada eleitoral de 22 de Julho