Mostrar mensagens com a etiqueta SNI. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta SNI. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O assassinato de Militão e o afastamento de Ferro


  • Morre, na Penitenciária de Lisboa, Militão Ribeiro, dirigente comunista.
A 2 de Janeiro de 1950, Militão Ribeiro, membro do Comité Central e do Secretariado do PCP, morria na Cadeia Penitenciaria de Lisboa, nove meses depois de ter sido preso pela PIDE conjuntamente com Álvaro Cunhal e Sofia Ferreira, numa casa clandestina, no Luso.

Militão Ribeiro e Álvaro Cunhal foram sujeitos a um regime prisional brutal, um regime de excepção, de arbitrariedade e violência

As consequências para a saúde deles eram inevitáveis. Militão Ribeiro sofria de grave doença do fígado contraída no Campo do Tarrafal, onde passara seis anos. A falta de uma alimentação e medicação adequadas tornaram-se fatais.

Militão descreveu de forma circunstanciada o tratamento brutal que lhe foi infligido, numa carta que fez chegar clandestinamente ao Partido e onde se pode ler: «Tenho sofrido o que um ser humano pode sofrer. Nem sei como tenho tido forças para tanto (…). Desde sempre mantive a disposição de dar a vida pelo Partido em todas as circunstâncias assim como a dou de uma forma horrível e cheia de sofrimento. Mesmo quase já um cadáver ainda fui esbofeteado por um agente. Dores, insónias, fome, agonias, tudo tenho sofrido nestes sete meses».


  • Índia propõe a integração da "Índia Portuguesa" na União Indiana
No passado dia 27 de Fevereiro, o Governo indiano apresenta ao Governo português uma proposta de negociação para o Estado Português da Índia ser integrado na União Indiana. O Governo recusa, afirmando não ser possível considerar questões de soberania dos seus territórios.

  • António Ferro deixa a direcção do SNI.

António Ferro abraçou a carreira política, tendo dirigido o Secretariado da Propaganda Nacional (SPN) desde a sua criação por Salazar, em 1933, até agora. É sua a formulação doutrinária, a partir de 1932, da chamada Política do Espírito, nome que teve em Portugal a política de fomento cultural e de propaganda do regime.

Depois de em 1933 ter publicado um livro de entrevistas com o ditador (Salazar, o Homem e a Obra), este chamou-o para seu próximo colaborador com as funções simultâneas de chefe da propaganda e de responsável pelo sector cultural.

António Ferro, tal como Gobbels tinha uma percepção clara de como a cultura se poderia transformar num poderoso instrumento de poder ao serviço do Estado, nomeadamente na construção de uma retórica cultural onde os conflitos sociais são harmonizados em torno de grandes desígnios nacionais.

Ao Povo Português é atribuída uma missão divina - propagar e defender os grandes valores da cristandade no mundo. O seu Império é apresentado como o exemplo da obra civilizacional do mundo ocidental. As suas aldeias, constituída por gente trabalhadora, pobre e feliz é apresentada como um exemplo às outras nações civilizadas, onde pululam grandes urbes industrializadas minadas pela desordem e imoralidade.

O discurso da superioridade de modelo de sociedade portuguesa, assente no corporativismo, transformou-se subitamente no discurso das causas do atraso económico do país. 

Neste contexto, Salazar rapidamente percebeu que tinha que alterar o discurso do regime e mudar os mecanismos de controlo social, mas para isso tinha também que afastar o homem que criara e encarnara o modelo anterior.

António Ferro é compulsivamente afastado do cargo que desempenhou desde 1933.

Fonte:Carlos Fontes-Coisas da cultura

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Ferro o Gobbels lusitano




  • Casa Comun, 31 de Janeiro de 1944


Para Salzar a questão cultural, não é uma QUESTÃO CULTURAL em si mesma, mas sobretudo a resposta à questão de como ocupar os tempos livres dos trabalhadores. Tem que ser acima de tudo uma forma de exercer controlo social.

Penso assim até porque julgo , que não pode haver cultura sem liberdade de pensamento, porque fora disso os actos efectuados, nessa área eventualmente rotulada de cultural, não passarão de mero passar de propaganda política.

Todos nós sentimos e Salazar não fugirá à regra, que a sorte da guerra que parecia inevitável para o lado do Eixo, hoje (felizmente ) tende a caír para o lado aliado.

Não querendo mudar nada, Salazar, entende que convém mascarar qualquer coisa de algo parecido com isso, para que tudo fique na mesma .

O Secretariado de Propaganda Nacional foi criado em 1933 foi agora transformado no Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), duas criações atribuídas a António Ferro, estão directamente ligadas a Salazar.

Tão directamente como o próprio António Ferro, o estava desde 1933 após ter publicado um livro de entrevistas com o ditador, a que chamou Salazar, o Homem e a Obra, Desde então foi convidado para colaborador por Salazar, com as funções simultâneas de chefe da propaganda e de responsável pelo sector cultural.

António Ferro, a quem apetece chamar o Gobbels português tem com aquele a percepção clara de que a cultura se pode transformar num poderoso instrumento de poder ao serviço do Estado.

A ideia geral até aqui difundida é muito clara, passar a ideia que ao Povo Português é atribuída uma missão divina - propagar e defender os grandes valores da cristandade no mundo, sendo o Império, apresentado como o exemplo para o mundo ocidental.

A ideia geral que nas nossas aldeias, constituída por gente trabalhadora, pobre e feliz é apresentada como um exemplo às outras nações civilizadas, onde pululam grandes urbes industrializadas minadas pela desordem e imoralidade.

Tem sido esta a mensagem de Ferro, até nisso bem mais tacanha e saloia diga-se que a do seu homólogo Gobbels, mas igualmente muito perigosa, pelo menos dentro de nossa casa.

Toda a gente sabe que Salazar vende volfrâmio aos alemães, matéria-prima que lhe sé fundamental para o esforço de guerra do inimigo.

O embaixador inglês Campbell apresenta ao governo de Lisboa a exigência do embargo da exportação de volfrâmio. O objectivo do Ministro da Economia Warfare era anular o fornecimento de matérias-primas fundamentais para o esforço de guerra do inimigo, no fabrico de armas e munições, com vista ao seu endurecimento e maior resistência.

Que dirá Salazar ? Em tempo de negoceio da utilização das Lajes, servirá este tema para aumentar a força negociadora ? , já que é inegável que a exploração do volfrâmio é uma fonte de riqueza que emprega muita gente em tempos muito difíceis reconheça-se.